As colaboradoras do Hospital Estadual Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI), da SES - Governo de Goiás, receberam papel de destaque na programação realizada pela unidade em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Além de assistirem a palestras, as mulheres presentes tiveram oficinas de beleza à disposição e participaram de sorteio de sessões de cuidado com a pele, além de brindes e ensaios fotográficos. Nos dois dias ocorreu também a “Feirinha da Alegria”, promovida pela diretoria do hospital e pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) do HMI. 

 Na tarde do dia 7, a preceptora da residência em Enfermagem Obstétrica do HMI, Priscila Salomão, conversou com as participantes sobre os tipos mais comuns de violência contra a mulher, o impacto desse ato sobre a família e amigos e sobre feminicídio. A profissional também deu ênfase na violência obstétrica, que atinge uma a cada quatro mulheres no Brasil durante o parto. “Ameaças e agressões partidas da equipe clínica, tomada de decisões pela gestante e manobras para acelerar o nascimento da criança acontecem diariamente nas maternidades. Agora, com a lei, precisamos fazê-la valer pois, caso ocorra, as consequências tanto para a mãe quanto para a criança podem ser irreparáveis”, alertou.Priscila também aproveitou a oportunidade para mostrar as políticas que o Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Rede Cegonha, vêm promovendo para diminuir o índice de violência obstétrica nas unidades de saúde. “Com a aprovação da lei do acompanhante pelo Senado Federal, a gestante ganha uma segurança a mais dentro da unidade, pois ele é um fator protetor contra a violência obstétrica”, disse. 

A violência contra a mulher continuou em pauta na manhã do dia 8 com a palestra do psicólogo Ronaldo Celestino, integrante da equipe do Ambulatório de Apoio à Vítimas de Violência Sexual (AAVVS) da unidade, que mostrou dados e situações preocupantes que grande parte das mulheres vivenciam diariamente.“A sociedade ainda possui a ideia de que a mulher é um objeto de desejo, sempre remetendo-a à erotização. Esse estigma tem mudado, mas elas ainda sofrem muito com isso. Precisamos olhar e valorizar cada mulher por suas particularidades e significado reais, não pelo que foi imposto ao longo dos anos. Precisamos urgentemente rever e mudar nossos conceitos sobre o papel da mulher”, enfatizou Ronaldo. O profissional ainda expôs informações importantes sobre o trabalho realizado no ambulatório para as vítimas de violência sexual, incluindo o aborto legal. “A violência é uma questão de saúde pública, pois percebemos um aumento na procura desse serviço entre as mulheres. Precisamos reeducar a sociedade”, finalizou. 

A presidente da Cipa, Michele Mesquita, se impressionou com a participação das colaboradoras e fez um balanço dos dois dias de evento. “Fiquei muito feliz, pois não esperava que haveria tanta adesão por parte das colaboradoras de todos os setores e turnos de trabalho”, disse. Já a analista de Recursos Humanos, Andressa Barcelos, demonstrou ter gostado de participar da ação. “Foi um evento muito positivo, pois precisamos conscientizar e empoderar essas mulheres trabalhadoras com informações valiosas como as que foram apresentadas aqui durante esses dois dias ”, disse, a colaboradora, que ainda ganhou um ensaio fotográfico.