“Emoção, amor e muita gratidão”. Essas foram as palavras da pediatra Rosa Maria Negri Rodrigues Alves, coordenadora do Banco de Leite e do Método Canguru do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), durante a abertura da 7ª Festa da Família Canguru. O evento reuniu mães, responsáveis, crianças e equipe hospitalar no refeitório do hospital para celebrar a vida dos bebês nascidos prematuros na unidade.

Durante a festividade, ela foi homenageada pelos serviços prestados e dedicados à prematuridade, e recebeu das mãos da diretora técnica, Patricia Helena, diante de muitos aplausos, uma placa de agradecimento. “Falar da prematuridade é falar de vida, eu que devo agradecer a parceria de todos, do hospital, dos técnicos, médicos e principalmente das mamães que acreditam no nosso trabalho, estou feliz e muito satisfeita, obrigado”, destacou.

A festa reuniu aproximadamente 100 crianças que confraternizaram com toda a equipe de assistência. O momento foi regado a muita conversa e abraços, além de muita emoção. Estas crianças, hoje saudáveis, um dia passaram pela unidade muito abaixo do peso esperado para o nascimento, e hoje retornam ao hospital para mostrar que o trabalho sério e o comprometimento fazem a diferença.

A enfermeira e coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, Sandra Ribeiro Cavati, ficou feliz ao ver tanta criança reunida. Ela reencontrou vários bebês e mamães que passaram pela unidade e ficou emocionada. “Estou sem palavras para explicar quanta satisfação em ver estas crianças bem e com saúde. Essa é a certeza de que nosso trabalho não é em vão. Passamos momentos preocupantes com alguns pacientes, rezamos juntos, sofremos juntos, lutamos junto às famílias para a vitória de cada um deles, e hoje olhar e ver todo mundo reunido e feliz é muito satisfatório”, contou emocionada.

A confraternização teve direito a bolo, refrigerante, muitos docinhos e chocolate, e o tradicional parabéns com direito a velinha no bolo. A realização do evento ficou por conta do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) que atua no Himaba.

Certificação

Em 2013, o Himaba foi certificado pelo Ministério da Saúde como referência estadual para a atenção humanizada ao recém-nascido com peso inferior a 2,5 quilos (Método Canguru), tornando-se polo de capacitação do método. O Himaba foi a 6ª unidade hospitalar no país a receber essa certificação.

O Método Canguru é usado desde 2008 pelo Himaba. Na época, as mamães podiam ficar com seus bebês durante o dia na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin). Com a criação de uma enfermaria própria para esse atendimento. Em janeiro de 2011, o vínculo passou a ser integral na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (Ucinca).

O Método Canguru

O Método Canguru é uma norma de atenção humanizada voltada ao recém-nascido prematuro com menos de 37 semanas, baixo peso (menos de 2,5Kg), que busca deixar a criança em contato direto (pele a pele) com a mãe, na posição canguru, para estimular o aleitamento materno e o vínculo afetivo, além de evitar infecções, diminuindo o tempo de internação.

O método consiste em três etapas. A primeira ocorre com o acompanhamento do bebê pela mãe, dentro da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (Utin), quando a criança deve perceber sua presença a cada momento, por meio do toque, que transmite calor, carinho, conforto e segurança.

A segunda etapa ocorre na enfermaria, para onde as crianças com baixo peso podem ir após um período na Utin, ou mesmo após o nascimento. Nesta etapa, o bebê permanece de maneira contínua com sua mãe e a posição canguru, em que a criança fica na vertical, é realizada pelo maior tempo possível, evitando refluxo, menos risco de sufocamento e de parada da respiração durante o sono. Para isto, são utilizadas faixas facilitadoras para esta postura. Esse período funciona como um estágio pré-alta hospitalar.

Após a alta médica, a terceira etapa caracteriza-se pelo acompanhamento da criança e da família no ambulatório até atingir o peso de 2,5 kg. O trabalho é feito com o suporte de equipes treinadas e conscientes de sua importância. Além de diminuir o tempo de internação, o método reduz os riscos de infecção, estimula o aleitamento e aumenta o vínculo entre a mãe e a criança.