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Laís deixa HMI após dois meses da cirurgia de separação

Após dois meses e três dias da cirurgia de separação, a pequena Laís, de um ano e sete meses, deixou o Hospital Estadual Materno-Infantil Dr. Jurandir do Nascimento (HMI), na tarde dessa segunda-feira, 29 de março, quando recebeu alta médica.

A equipe de multiprofissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, fez questão de acompanhar a saída da mãe com a criança, juntamente com o cirurgião pediátrico Zacharias Calil. E a despedida foi com uma salva de palmas.

Emoção e gratidão era o sentimento de Liliane Silva, mãe das gêmeas siamesas da Bahia, Laura e Laís, ao deixar a unidade com a outra filha no colo. “Eu nunca recebi um prêmio na minha vida e estou recebendo hoje, que é levar minha outra filha pra casa. Quero agradecer a todos que oraram e torceram por nós. Só gratidão!”, falou  Liliane emocionada.

A tia das meninas, Lina Soares, que acompanhou as meninas desde o início, levou Laura até ao hospital para buscar a irmã. “Não via a hora das duas irmãs estarem juntas de novo. Hoje é só felicidade, graças a Deus”, afirmou Lina.

Segundo o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, que liderou a equipe de 38 profissionais durante a cirurgia de separação, ocorrida no dia 26 de janeiro, Laís é uma guerreira. “A Laís foi operada três vezes. Ela apresentou quadro de infecção intestinal, teve um problema cardíaco muito severo e conseguiu superar todos os desafios. Hoje ela está saindo daqui (HMI) em boas condições para que ela possa ter uma vida independente”, concluiu o cirurgião.

As gêmeas ainda vão continuar em Goiânia, na casa de apoio da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), sendo acompanhadas pelo médico Zacharias Calil.

Acompanhamento – As siamesas Laura e Laís passaram por cirurgia de separação no dia 26 de janeiro, com duração de 17 horas que envolveu 38 profissionais de várias especialidades, liderados pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil. As crianças nasceram em 15 de agosto de 2019, no Hospital e Maternidade Luís Argolo, na cidade de Santo Antônio de Jesus, na Bahia. As irmãs eram unidas pelo abdômen e bacia e compartilhavam a genitália e os intestinos grosso e delgado.

Histórico – O HMI é referência em realizar a separação de gêmeos siameses.  Este foi o 19º procedimento de separação realizado no HMI, de 41 casos de siameses atendidos na unidade. E a 20ª separação pelo cirurgião pediátrico, Zacharias Calil. A primeira aconteceu em 2000, das gêmeas Larissa e Lorrayne, que eram unidas pelo abdômen e pela pelve. A literatura médica mundial indica que, dentre os siameses operados, um em cada cinco sobrevive à cirurgia. No HMI, esse índice chega a 50%. 

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